Reflorestamento

Compartilhe sustentabilidade para alimentos, consumo consciente, vida, transporte, casa e educação:

O desmatamento atualmente está em níveis alarmantes. Muitas florestas originais já foram diminuídas a pequenos trechos. O maior exemplo disso é a Mata Atlântica. Entretanto, áreas como a Floresta Amazônica e o Cerrado brasileiro também vêm sofrendo bastante.

Muito vem se perdendo para queimadas e madeireiras. Ano após ano, áreas de vegetação original estão diminuindo, necessitando de medidas para frear este problema, ou mesmo de reverter a situação.

É nesse contexto que falamos de reflorestamento. Ele ocorre quando uma área desmatada é recuperada, podendo ocorrer de forma natural ou sendo feito um reflorestamento intencional. É importante lembrar que o reflorestamento pode visar reverter um efeito natural, como incêndios não criminosos, ou uma ação humana, como o desmatamento.

Motivos do reflorestamento

Muito se pergunta: por que o reflorestamento é importante? Uma das principais razões que justifica o uso do reflorestamento é a ambiental. Seja para reverter um efeito natural ou humano, o motivo ambiental tem como objetivo impedir a perda das áreas verdes do planeta.

É, de fato, uma forma de proteção da Terra, buscando reequilibrar o meio ambiente após um incidente de perdas. Isso pode ser importante na conservação de espécies vegetais e até mesmo animais, que dependem da vegetação para se alimentar ou fazer de morada.

Outra razão importante é a climática. Nas grandes cidades, é muito comum a formação das chamadas ilhas de calor. Esse fenômeno ocorre por conta da falta de vegetação nas áreas urbanas, transformando-as em áreas mais quentes que as rurais que ficam em seu entorno. Isso ocorre por conta do excesso de asfalto e concreto, que acaba esquentando mais o ambiente. Além disso, menos árvores resultam em uma umidade do ar menor, aumentando a sensação de calor.

Para amenizar esse problema, a formação de florestas em miniaturas nas cidades aparece como uma possibilidade. Com mais árvores, o sol atinge menores porções de asfaltos e concretos, diminuindo a temperatura. Além, é claro, de aumentar a umidade do ar. Por fim, com mais árvores, é possível um maior sequestro de gás carbônico, resultando numa interessante contribuição do reflorestamento para a diminuição do efeito estufa.

É importante lembrar que as árvores “respiram” de forma diferente dos outros seres vivos. Elas inspiram CO² e expiram O², enquanto os animais inspiram o oxigênio e expiram o gás carbônico, que é um dos principais gases do efeito estufa.

Esse processo é denominado fotossíntese. As plantas usam esse carbono do gás como reserva de energia, enquanto os animais usam carbonos provenientes de açúcares e gorduras. Dessa forma, enquanto a planta cresce, o carbono vai sendo utilizado pelo seu metabolismo para formação de sua biomassa, sequestrando do ar e ajudando a “limpar” a atmosfera.

Outros objetivos do reflorestamento são bastante úteis. Um dos mais interessantes está ligado à preservação de bacias hidrográficas e morros. Isso porque as chamadas matas ciliares são de suma importância para que os rios mantenham suas estruturas. As árvores que se situam na beira dos rios são capazes de reter a erosão e impedir que haja um deslizamento de terra no local, que pode até mesmo aterrar determinado ponto do rio e até modificar a sua geografia.

Já nos morros, o problema é bastante visível em regiões serranas no período de chuvas. As árvores que segurariam a água e a terra não estão mais lá por terem dado lugar a casas e outros tipos de construções. Isso faz com que aconteçam os deslizamentos de terra que comprometem essas casas e as pessoas que vivem nelas.

Assim, sem a presenças das florestas nesses locais, existe um verdadeiro risco aos rios e aos moradores de regiões de morros e serras. Portanto, é possível ressaltar a importância do reflorestamento, que atuaria para evitar que essas situações desastrosas aconteçam.

Técnicas de reflorestamento

Existem diferentes técnicas de reflorestamento. Aqui, conheceremos algumas delas. É válido lembrar que o reflorestamento não pode ser feito com qualquer árvore. Elas devem pertencer ao ecossistema e regiões locais para que haja um sucesso.

Muvuca

Aqui, ocorre uma mistura entre areia e grãos, incluindo mais de 30 tipos de sementes nativas diferentes. Essa mistura é levada para que se possa espalhar pela área de reflorestamento. Essa é uma forma econômica, com menor necessidade de manutenção

Plantio de mudas

Como o nome sugere, essa técnica consiste no plantio de mudas das espécies que participarão do reflorestamento. Podem ser plantadas de diferentes formas, ordenadas em espaços definidos ou não, entre outras variações. Por já serem mudas que brotaram, sua manutenção deve ser maior, principalmente pela questão de adaptação. Por isso, é um pouco mais cara que a muvuca.

Nucleação

Nesse caso, a área é adaptada para que espécies que agem como disseminadoras de sementes possam ocupar o ambiente com maior facilidade. Galhos podem ser colocados no local para que pequenas espécies de animais possam fixar um lar. Esses animais serão responsáveis por espalhar as sementes de diferentes formas.

Elas podem ficar presas nos pelos dos mesmos, ou até sair em suas fezes, prontas para serem plantadas após passar pelo trato digestivo do animal. O acúmulo dos galhos pode ser interessante também para manter um ambiente sombreado, capaz de proporcionar uma situação favorável a diferentes tipos de espécie.

Reflorestamento e Florestamento

A diferença entre florestamento e reflorestamento reside principalmente no tempo de formação e desenvolvimento da floresta. Quando esse tempo é inferior a 50 anos, é considerado um reflorestamento. Já quando o tempo é superior a 50 anos, considera-se um florestamento.

Tipos de reflorestamento

Existem basicamente dois tipos de reflorestamento. Esses tipos se diferenciam pela finalidade de suas florestas. Em um deles, são formadas florestas para fins comerciais. No outro, são formadas florestas para fins ecológicos.

Nas florestas comerciais, o governo brasileiro passou a estimular essa prática nos anos 1960, por meio de incentivos fiscais. Entretanto, as grandes áreas reflorestadas são monoculturas de eucalipto, que são utilizadas na indústria de papel e celulose.

Elas são escolhidas pela sua capacidade de crescer em até 7 anos, o que é muito rápido se comparado a outras plantas. Outro tipo de plantação comercial é a destinada a diminuição de gases do efeito estufa. Isso acontece por conta do mercado de carbono. Empresas ou governos precisam comprar créditos de carbono para alcançar metas de redução de carbono, como as estabelecidas no Protocolo de Kyoto.

Já no caso do reflorestamento com fins ecológicos, o objetivo principal é a restauração de ecossistemas. Este é o caso mais facilmente reconhecido e o que vem em primeiro lugar quando se pensa em reflorestamento. É uma recomposição das perdas ambientais que podem acontecer de diferentes formas. Desmatamento e reflorestamento são praticamente opostos, para o que se desmata, o reflorestamento é uma tentativa de reversão.