Biodegradáveis

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Apesar de ser uma expressão que está se tornando cada vez mais comum, o termo pode causar algumas dúvidas, deixando algumas pessoas inseguras sobre o que é biodegradável. A palavra quer dizer algo que pode ser decomposto por algum tipo de microrganismo, o que pode resultar em seu desaparecimento ou degradação completa.

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Todos sabemos que o plástico é um derivado do petróleo que apresenta um tempo de degradação absurdamente longo: cerca de 450 anos. Parando para pensar, desde que o plástico foi criado, nada que foi composto dele pode ter sido degradado naturalmente. O prazo dado para essa decomposição é feito a partir de estimativas feitas ao observar a velocidade em que o mesmo se degrada, bem como analisando a dificuldade dos organismos em romper as ligações químicas da composição do plástico. Esse material de difícil decomposição ainda pode ser um grande poluente, representando um risco para animais marinhos, como tartarugas e baleias.

Dessa forma, se fosse utilizado um material biodegradável, o mesmo passaria a afetar bem menos o meio ambiente. Então, sabendo o que são produtos biodegradáveis, podemos passar a entender melhor como eles funcionam e como podem beneficiar o planeta.

Embalagens biodegradáveis

Uma embalagem biodegradável pode representar uma alternativa para amenizar muitos dos impactos ambientais causados pela produção de mais e mais lixo. Já existem muitas, como a reciclagem e a incineração, além dos produtos biodegradáveis surgindo como mais uma.

Entre os componentes, que podem compor embalagens e ser produzidos de forma que sejam biodegradáveis, estão o plástico e tecidos. Estes são uma tecnologia mais recente. O Brasil está na vanguarda dos tecidos biodegradáveis. Materiais como poliamida e TNT vêm sendo produzidos e têm um tempo de degradação de até 3 anos, o que é pouco para esses tecidos, que costumam levar até décadas para serem totalmente degradados normalmente.

Em Hong Kong, até mesmo resíduos alimentares vêm sendo matéria prima para a produção de tecidos ecológicos a partir da fermentação em ácido lático, que é, então, polimerizado para formação de fibras.

Plásticos biodegradáveis

Um dos principais materiais biodegradáveis é o plástico, se não o principal. O acúmulo do plástico no meio ambiente é uma pauta que vem tomando cada vez mais destaque no cotidiano.

As pessoas estão se tornando mais conscientes do mal que o acúmulo faz ao meio ambiente, ao mesmo tempo em que leis que, por exemplo, proíbem canudos plásticos são aprovadas no Brasil e a proibição dos plásticos descartáveis pela União Europeia até o ano de 2021.

Então, mais do que uma tendência, a adoção de plásticos biodegradáveis se tornou uma obrigação e até mesmo uma oportunidade de mercado. O que poucos sabem, porém, é que existem dois tipos do plástico biodegradável, os sintéticos e os naturais.

Plásticos biodegradáveis sintéticos

Primeiramente, devemos entender o que é o plástico e a sua composição para compreender melhor os biodegradáveis sintéticos. O plástico comum é composto por moléculas que se ligam em uma cadeia. Essas moléculas iguais, quando unidas, formam o que se chama de polímero. O PVC é um exemplo, pois é composto de inúmeras moléculas de cloreto de vinila. Portanto, o plástico comum é um polímero sintético. Assim, o plástico biodegradável sintético se utiliza do mesmo princípio, mas parte da adoção de materiais que possuem uma maior possibilidade de rápida degradação, como os oxi-biodegradáveis. Estes são materiais sintéticos em que houve a adição de compostos químicos que passam a estimular uma oxidação, ou seja, são pró-oxidantes. Isso acelera a degradação oxidativa, configurando o produto como biodegradável.

Outro tipo de sintético é o PCL, ou poli caprolactona. Seus produtos de degradação são tão inofensivos que o material possui aplicação biomédica. O mesmo é utilizado como veículo de fármacos, aumentando o direcionamento com o que se chama de drug delivery. O PCL carrega a droga e, quando degradado, a libera de forma mais direcionada em certos tecidos.

Plásticos biodegradáveis naturais

Lembrando que todo plástico é um polímero, aqui temos os polímeros biodegradáveis naturais. São também chamados de biopolímeros. Eles partem de recursos naturais. Na natureza, existem diferentes exemplos que podem possuir uma aplicação. Entre eles estão os amidos, como o de milho, que são polímeros de glicose, e alguns produzidos por bactérias e borrachas naturais, como aquelas extraídas de seringueiras.

Alguns biopolímeros já vêm sendo aplicados na indústria. Um exemplo são as sacolas de supermercado, que vêm sendo criadas nos últimos anos. Existem sacolas produzidas a partir da mandioca, feitas a partir de seu amido. Criadas na Indonésia, o segundo país que mais descarta lixo no oceano, elas são totalmente biodegradáveis. Os animais podem consumir as sacolas sem nenhum problema. Elas são seguras para queimar, pois não emitem tóxicos poluentes e, para eliminar a sacola, basta picá-la e dissolver em água. Você pode até mesmo beber essa água, se quiser.

O problema atualmente é o preço, pois a sacola custa aproximadamente duas vezes mais para se produzir que as de plástico. Entretanto, se o mercado aceitar esse produto, o aumento de produção pode tornar mais viável e mais barata a comercialização e utilização em larga escala na Indonésia e, futuramente, no mundo todo.

Biodegradação

A partir do momento que entendemos o que é um material biodegradável e a sua importância, podemos nos aprofundar mais na biodegradação de fato. Esse processo de desintegração realizado por diferentes tipos de organismos, como fungos e bactérias, parte do princípio de que os corpos devem ser feitos por moléculas de carbono, oxigênio e hidrogênio, por exemplo.

Esse processo é fundamental para a vida no planeta. Sem isso não haveria o húmus que fertiliza o solo e permite a regulação da população microbiana do ambiente. Isso se dá pela característica de biodegradação de redução de cadeias de carbono, oxigênio e outros elementos a compostos mais simples que são fixados no solo, tornando-se disponíveis para que as plantas possam utilizar como nutrientes.

Além disso, contaminantes orgânicos podem ser processados, como fezes e detergente, por meio do metabolismo dos microrganismos. Sejam eles aeróbicos, com presença de oxigênio, ou anaeróbicos, sem oxigênio.

Uma separação do que é biodegradável e não biodegradável se dá pela capacidade dos microrganismos em metabolizar os compostos. Entretanto, eles podem ter diferentes tipos de ação sobre esses compostos. Vamos conhecer essas ações diferenciadas.

Biodegradação primária

Ela acontece quando o composto apresenta moléculas que foram oxidadas ou alteradas quimicamente pelos microrganismos. A partir dessa modificação, o composto perde características tensoativas. Entretanto, esse procedimento não é mais aceito isoladamente, pois os resíduos gerados ainda podem ser estranhos ao ambiente.

Biodegradação total ou mineralização

Como o próprio nome já diz, aqui os compostos são metabolizados pelos microrganismos de forma que o produto final seja reduzido a CO², H²O ou outros produtos. Esses compostos são inofensivos ao ambiente, de uma forma geral. Esse é o objetivo final de induzir compostos que sejam biodegradáveis, que eles possam se tornar compostos inofensivos, não agredindo o ambiente tão seriamente quanto plásticos e detergentes, por exemplo.

Energia biodegradável

Cientistas vêm desenvolvendo nos últimos anos o que se pode chamar de energia biodegradável. Isso porque elas provêm da ação das bactérias que consomem açúcares, que podem ser até mesmo resíduos industriais, para a geração de energia. Existem exemplos de biobaterias a partir de bactérias geneticamente modificadas.

Seu metabolismo é otimizado de forma que elas produzam mais moléculas energéticas que o normal. Essas moléculas serão capazes de gerar e conduzir energia elétrica que possa ser utilizada. Ou seja, é criada uma espécie de pilha alimentada por açúcar em que as baterias promovam essa conversão em energia elétrica. Há muito a se desenvolver em pesquisas para que se possa aplicar isso comercialmente, mas os primeiros passos estão sendo dados.

Símbolo biodegradável

Não existe exatamente um símbolo que represente algo biodegradável. Entretanto, em alguns lugares do mundo, as embalagens apresentam selos de certificação. No Japão, existe o Selo do BPS, já na Europa existe o Selo do European Bioplastic.

Além desses, existe o selo do BPI, o Biodegradable Product Institute, que é proveniente dos Estados Unidos. Esses selos indicam que, em seus respectivos países, os produtos passaram por rigorosos testes e podem ser qualificados como biodegradáveis.

No Brasil, aqueles que desejam ser classificados assim, devem seguir a norma da ABNT de biodegradação e compostagem. Existem quatro etapas para que o plástico possa ser caracterizado como biodegradável, a caracterização química do material, a sua biodegradação, a desintegração e, por fim sua ecotoxicidade.